sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Máscaras, há muitas!...

À volta das máscaras que ousamos usar, criamos um mundo de personagens com quem interagimos de acordo com a maré, o vento, ou apenas a disposição…

Todas elas são reflexos, recortes de nós mesmos que espelham com mais ou menos exactidão o que queremos embelezar, enfatizar ou esconder.

Este mês O QUARTO DA LUA joga às escondidas com as máscaras sem nunca deixar de assumir a sua entidade.

Cá vos esperamos, com ou sem máscaras... n’O QUARTO onde a LUA brilha mais forte!

Para ficar a conhecer o programa de Fevereiro, clique aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

«Os Contos do Caminho» n’O Bichinho de Conto

Aproveite o fim-de-semana que se aproxima para rumar a Óbidos e conhecer o projecto «Os Contos do Caminho». Este será apresentado no Sábado, dia 30 de Janeiro, na livraria O Bichinho de Conto, a partir das 18h.

Olivroinfantil já aqui mencionou este projecto literário, que pretende apoiar o intercâmbio de profissionais da área cultural, fomentando trocas a nível de alguns países da União Europeia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ILUSTRARTE ‘09

Está de regresso a Ilustrarte, bienal dedicada à ilustração para a infância. Na sua IV edição, a Ilustrarte ’09 terá lugar no Museu da Electricidade, na cidade de Lisboa onde, de 12 de Fevereiro até finais de Março, poderá apreciar a exposição de 150 ilustrações seleccionadas concorrentes ao Prémio ILUSTRARTE 2009.

A vencedora, desta feita, foi a ilustradora belga Isabelle Vandenabeele, com xilogravuras (impressão de gravuras esculpidas na madeira) a partir da obra do pintor Edgard Tytgat. As três ilustrações foram consideradas as melhores de entre mais de 1300 candidaturas de 59 países a competir na edição deste ano da Ilustrarte.

Foram aceites 160 candidaturas nacionais, tendo sido seleccionados os trabalhos de autores como Ana Sofia Gonçalves, André Letria, Daniel Lima, Gémeo Luís, João Vaz de Carvalho e Teresa Lima.

O júri responsável pela selecção dos finalistas e da obra vencedora integrou o ilustrador alemão Wolf Erlbruch, a editora francesa Brigitte Morel, a ilustradora alemã Susanne Janssen (vencedora da Ilustrarte 2007), João Branco e Luís Sanches - estilistas da dupla Storytailors - e o designer Jorge Silva.

A inauguração será dia 12 de Fevereiro (sexta-feira), pelas 21:30h, no Museu da Electricidade.

Para outras informações sobre a ILUSTRARTE ’09, clique aqui.

Fernando Carvalho

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pep Duran na BMO

Sugerimos que, no serão de 29 de Janeiro, pelas 21h30, passe pela Biblioteca Municipal de Oeiras e ouça Pep Duran, que conta histórias a partir dos livros, para reforçar o vínculo que une a oralidade à leitura. Conta também com objectos, malas cheias de segredos e tesouros, abrindo-as, para pequenos e adultos, dando a saborear o seu conteúdo.

Acerca de Pep Duran

Pep Duran nasceu em 1944. Em 1970 tornou-se livreiro, fundando a livraria ROBAFAVES de Mataró. É terapeuta Gestáltico, formado em Psicoterapia Integrativa e Educador Especializado.
Contador de histórias, especializado em contar álbuns ilustrados para público infantil e para adultos, Pep Duran diz de si «Conto, conto, conto. Conto a partir de álbuns ilustrados, faço-o com os livros na mão para reforçar o vínculo que une a oralidade à leitura. A minha profissão de livreiro permite-me conhecer as novidades do mundo editorial e coloco a minha prática de contador ao serviço dos livros cuja forma e conteúdo me emocionam.
Conto com objectos, com personagens de contos em forma de bonecos de peluche, com metáforas guardadas em caixas, com malas cheias de segredos e tesouros, que como os livros necessitam abrir-se para se lhes saborear o conteúdo.
Conto contos curtos, de nova criação que contêm a sabedoria antiga para ajudar a crescer por dentro.
Conto para pequenos e para adultos. Conto, mas em espaços reduzidos e silenciosos mais do que em palcos e anfiteatros.
Neste momento, o meu interesse está orientado para o público infantil, para os pais e os mestres, professores e especialistas. Interessa-me, em especial, acompanhar os formadores pelo sugestivo mundo dos contos. Conto em catalão e em castelhano (com sotaque catalão).» in casadaleitura.org

Magda Costa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Curious Pages

Curious Pages é o título dum blogue no mínimo singular. Com o mote “recommended inappropriate books for kids” aguça a nossa curiosidade, não sem antes espreitarmos pelo canto do ombro e temermos pela segurança daquilo que os nossos olhos poderão visualizar.

Neste local podemos encontrar páginas de inúmeros livros - de ontem e de hoje – que se destacam pela infracção das regras daquilo que o cânone da literatura infantil estabelece, pelas ilustrações e, acima de tudo, pela abordagem irreverente das temáticas, tudo estruturado num blogue que remata as apresentações com comentários irónicos e bastante pertinentes, com dicas de mediação e interpretação para todos os gostos.

Autores e ilustradores como Edward Gorey, L. Frank Baum, Hilaire Belloc ajudam a que este blogue se torne ainda mais aliciante. Muitos dos livros apresentados são edições bastante antigas, contudo muitos deles têm sido reeditados pelo mundo fora.

“A site for all your reading disorders. Looking for books about teddy bears or rainbows or feelings? You’re at the wrong place. Here we celebrate the offbeat, the abstract, the unusual, the surreal, the macabre, the inappropriate, the subversive and the funky.”

Visite Curious Pages aqui.

Fernando Carvalho

domingo, 24 de janeiro de 2010

História com Recadinho

Publicado originalmente pela editora Figueirinhas em 1986, e há muito esgotado, História com Recadinho é o conto de Luísa Dacosta que acaba de integrar a colecção «Obras Completas de Luísa Dacosta para a Infância», da editora ASA. Esta primeira edição na ASA atribui ao livro um formato diferente da primeira, com novas ilustrações da autoria de Cristina Valadas.

“A narrativa estrutura-se em torno de uma bruxinha que decide fugir do reino das bruxas (um «mundo de trevas, árvores mortas e aves agoirentas») para o mundo dos homens (onde havia «tantos brilhos, tantas cores e tantos perfumes»), numa tentativa de encontrar um local onde pudesse «dar largas à sua alegria e ao seu humor benfazejo». Mas, para seu espanto, também o mundo dos homens, apesar da sua beleza exterior, se revelou um mundo de trevas pelo obscurantismo dos seus preconceitos!”

Acerca de Luísa Dacosta

Luísa Dacosta nasceu em Vila Real, a 16 de Fevereiro de 1927. Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas, curso que começou a frequentar em 1944. No entanto, já na altura se interessava por literatura.

Entre 1968 e 1997 foi professora do Segundo Ciclo do Ensino Básico e, desta experiência, diz dever aos seus alunos o ter ficado do lado do sonho. Isso a tem motivado a escrever para crianças.

Recebeu em 1992 o Prémio Máxima de Literatura, pelo seu livro Na Água do Tempo – Diário. Em 2002, recebeu o prémio Uma vida, uma obra, instituído pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com o apoio da Delegação Regional de Cultura do Norte.

Da sua obra para a infância destacam-se os títulos História com Recadinho, Robertices, A Rapariga e o Sonho e O Rapaz que Sabia Acordar a Primavera.

Para conhecer as obras de Luísa Dacosta publicadas pela editora ASA, clique aqui.
Para conhecer um pouco mais acerca da biografia da escritora clique aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mini-biblioteca essencial

A FNAC, em colaboração com a Casa da Leitura, disponibiliza uma mini-biblioteca essencial, com sugestões de títulos de livros para pré-leitores, leitores iniciais, medianos e autónomos. Poderá ser consultada on-line, aqui.

Para conhecer as recensões e algumas orientações teórico-práticas em torno dos livros, poderá aceder ao sítio da Casa da Leitura, clicando aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Formação Avançada

«O conto como mediador do desenvolvimento emocional» é o título da formação avançada que decorrerá em Lisboa, entre os meses de Março e Julho de 2010.

Esta formação tem como objectivos:
•Identificar a potencialidades expressivas, mediadoras e transformadoras do conto para o desenvolvimento psico-afectivo e social;
•Aprofundar os contributos das teorias psicológicas, psicologia do desenvolvimento, psicanálise e psicologia de grupo como fundamento para o uso do conto no trabalho com grupos;
•Ajudar a construir quadros, metodologias e materiais para a intervenção terapêutica/pedagógica com grupos, utilizando o conto como mediador;
•Conhecer um projecto de intervenção com crianças, pais e educadores, utilizando o conto infantil como mediador: Ouvir o Falar das Letras;
•Elaborar e implementar uma intervenção com grupos utilizando o conto como mediador.

Destina-se a profissionais de Psicologia e Psicoterapia, bem como a alunos finalistas do mestrado integrado de Psicologia.

O programa da formação prevê a existência de três módulos, distribuídos por cinquenta horas. Ana Mourato (mestre em educação e leitura, psicóloga educacional e pós-graduada em Livro Infantil,) e Maria Teresa Sá (psicanalista e mestre em Psicologia clínica do desenvolvimento) serão as formadoras responsáveis pelos trabalhos.

As inscrições são limitadas ao número de vinte formandos. Poderão ser realizadas pelo correio ou directamente no balcão dos serviços académicos do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Para obter informações mais detalhadas, clique aqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SOPA DE LETRAS

As vogais e as consoantes são como as pessoas: cantam, gaguejam, namoram letras vindas de fora, metem-se onde não são chamadas, brincam com o poeta, rimam e fazem uma deliciosa sopa de letras.

Alimentados por ela, os mais pequenos divertem-se, contactando com as letras do alfabeto de forma melodiosa, com espaço para a interpretação cognitiva, dramática e lúdica.
Com receitas (textos) de João Manuel Ribeiro, sabiamente cozinhadas (ilustradas) por Anabela Dias, o título Sopa de Letras tem um sabor a magia, que apetece provar.

Editado pela Trinta Por Uma Linha, o livro será lançado no dia 23 de Janeiro, pelas 11h30’, na livraria infantil Salta Folhinhas, no Porto.

Clique aqui para aceder ao blogue e aqui para aceder ao sítio da editora Trinta Por Uma Linha.
Para conhecer o trabalho de Anabela Dias, clique aqui.
Para saber mais acerca da livraria Salta Folhinhas, clique aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Colecção «Mil Descobertas»

Indicados para leitores iniciais, os álbuns da colecção “Mil Descobertas”, publicados pela Editorial Caminho, são uma excelente fonte de informação e ponto de partida para inúmeras explorações em diferentes contextos.

Os livros abordam temas de interesse, sempre com grande sentido de humor e de ritmo, relacionando o familiar e o desconhecido. São estes os elementos que cativam as crianças.
Desta colecção salientam-se os títulos Nham-Nham!, Chape! Chape! Chape!, O que há por baixo da cama? e O mundo está cheio de bebés.

Para conhecer a colecção completa, da autoria de Mick Manning e Brita Granström, clique aqui.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

I Congresso Ibero-americano da Língua e Literatura Infantil e Juvenil, no Chile

Espera-nos já em Fevereiro o Congresso Ibero-americano da Língua e Literatura Infantil e Juvenil, em Santiago do Chile, no Chile.

Este primeiro congresso, que pretende vir a ser trienal, tem como principal objectivo promover e potencializar a literatura infantil e juvenil em todos os países de língua portuguesa e espanhola.

A realizar-se entre os dias 24 e 28 de Fevereiro, este congresso conta com a colaboração da Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos (DIBAM) - organismo governamental que depende do Ministério de Educação chileno - e com o patrocínio da Academia Chilena de la Lengua.

Esta iniciativa da Fundação SM foi comunicada o ano passado, pela altura da Feira do Livro de Bolonha. O evento contará com a participação de autores, editores, especialistas, investigadores e críticos literários de diferentes países, oferecendo assim um momento inédito de contacto e partilha, recepção e reflexão da literatura para crianças e jovens.

A participação no CILELIJ é feita mediante uma inscrição que pode ser submetida no sítio oficial do congresso.

Para mais mais sobre o programa do CILELIJ, clique aqui.

Fernando Carvalho

domingo, 17 de janeiro de 2010

6.º Prémio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil

Mais uma vez, as Edições SM e a Fundação SM lançam o Prémio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil. A participação está aberta a escritores de todas as nacionalidades com mais de 18 anos que apresentem originais dirigidos aos mais pequenos. Os trabalhos deverão ser inéditos e escritos em língua portuguesa.

Todos a escrever pois a data limite da recepção dos trabalhos desta 6.ª edição é já no próximo dia 19 de Fevereiro.

Para mais informações sobre as Edições SM e a Fundação SM, clique aqui.
E para o regulamento do concurso, clique aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Manuel António Pina em destaque, na Guarda

Começa hoje o Ciclo dedicado ao autor Manuel António Pina. Este acontecimento, que terá lugar na Guarda, foi promovido pelo TMG (Teatro Municipal da Guarda) e pelo CEI (Centro de Estudos Ibéricos) com o apoio da Câmara Municipal da Guarda, como forma de homenagem ao autor do Sabugal.

O evento que se prolongará até ao próximo dia 22 de Janeiro contará com exposições, seminários, oficinas, teatro e a entrega do prémio literário Manuel António Pina para a poesia e literatura infantil.

Para mais informações sobre o Ciclo dedicado a Manuel António Pina, clique aqui.
Para consultar o programa, clique aqui.
Para aceder ao programa do seminário e ao seu registo online, clique aqui.

Fernando Carvalho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Orfeu Mini em GRANDE

Corria o ano de 2008 quando a Orfeu Negro, editora com créditos firmados na área das expressões artísticas, fez nascer a Orfeu Mini.

Com “O Livro Inclinado” de Peter Newell a encabeçar o lançamento desta nova colecção, a Orfeu não tem parado de surpreender os leitores com propostas insólitas e duma criatividade sem par.

Para o primeiro trimestre de 2010, a versão Mini da Orfeu irá enriquecer o mundo do livro infantil em Portugal com mais três obras que desde já têm a nossa total atenção. Assim, em Fevereiro assistiremos ao lançamento de O Coração e a Garrafa, de Oliver Jeffers; em Março poderemos contar com O Estranho Mundo de Jack, de Tim Burton – autor que tem o seu trabalho em destaque numa exposição no MoMA (The Museum of Modern Art, em Nova Iorque) patente até 26 de Abril – e Migrando, da argentina Mariana Chiesa Mateos.

Para mais informações sobre a Orfeu Mini, clique aqui.
Para conhecer mais sobre a exposição de Tim Burton, clique aqui.
Fernando Carvalho

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

“Viajar no Mundo da Leitura II”, com Sylviane Rigolet

Sylviane Rigolet, nascida na Suíça, é psicóloga, com uma pós-graduação em intervenção precoce e mestrado em linguística formal. É actualmente Formadora do IPLB, tendo grande experiência em vários Centros de Formação de Professores e enquanto docente em diversas Escolas Superiores de Educação é, igualmente, autora de várias publicações.

No seguimento da acção realizada anteriormente, serão abordados conhecimentos relacionados com a temática da animação da leitura, exploração de livros e desenvolvimento de projectos.
Irão ser analisados os procedimentos e metodologias de cada uma das fases da animação da “hora do conto”:
I – Análise e Preparação;
II - Gestão e Realização;
III - Exploração e Avaliação.

NOTA: As inscrições estarão abertas de 11 e 22 de Janeiro 2010 e serão limitadas a 25 participantes e aceites por ordem de entrada na BME. Podem ser entregues nas instalações da BME, enviadas por e-mail (biblioteca@cm-entroncamento.pt) ou correio (Biblioteca Municipal do Entroncamento, Largo José Duarte Coelho, 2330-078 Entroncamento).
Inscrição sujeita a confirmação.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Breve História do design editorial no Livro Infantil

A história do design editorial no livro infantil é indissociável da história do Livro assim como do percurso traçado pela literatura infanto-juvenil. O design editorial projecta a forma e determina as características funcionais, estruturais e estéticas do Livro, materializando o seu conteúdo textual e/ou imagético.

Visando a melhoria da qualidade de uso do livro, o design editorial tem vindo a considerar um número cada vez maior de intervenientes nas decisões a tomar sobre um projecto, decorrente da multidisciplinaridade em que se move, ao mesmo tempo que procura a satisfação de um conjunto de objectivos cada vez mais alargado que é definido, hierárquica e cronologicamente, para cada um dos destinatários do seu produto: leitor, consumidor, vendedor, distribuidor, editor, autor (escritor e/ ou ilustrador), complexificando todo o processo de produção.

Recuando no tempo, podemos admitir que o design gráfico, em particular o editorial, sempre existiu desde que se construiu o primeiro livro. A História foi sempre encaminhada pelas inovações técnicas e tecnológicas, que permitiram prosperar a forma e a preservação dos volumes sempre com o objectivo da melhoria e aperfeiçoamento da utilização, manuseamento e produção do livro.

Quer se tratasse de redigir sobre argila, pedra, madeira ou papiro, a forma de apresentação do livro requereu sempre a projecção da sua utilização. O "Karthés" ou "Volumen" tratava-se de um cilindro de papiro, facilmente transportável, que era desenrolado à medida que era lido. Mais tarde, o Códex, que surge com os Gregos para a compilação das leis, é aperfeiçoado pelos Romanos, nos primeiros anos da Era Cristã, utilizando-se o pergaminho - excerto de couro bovino ou de outros animais - para a construção das páginas compiladas e mais facilmente unidas por costurado do que o papiro. O livro ganha então a forma rectangular que hoje conhecemos constituindo-se como um conjunto de páginas cosidas que suportam a informação a distribuir. Toda a produção é manual e apenas acessível às elites, políticas e religiosas, que os encomendam, e não se conhece a existência de livros infantis, expressa ou implicitamente dirigidos às crianças, desta época.

Aprovado e incentivado pela Igreja, que via o objecto como um veículo das suas teses e ideologias, ao livro acresce o valor do trabalho dos monges copistas, notoriamentea partir do século XIII, que reproduziam as obras carregadas de artísticas iluminuras e recursos gráficos que decoravam os textos. É com eles que se definem as primeiras regras no que diz respeito à mancha do texto em colunas, às margens e ao trabalho tipográfico de entreletra e entrelinhamento. A sua responsabilidade era a de copiar fielmente o design do original reproduzindo os arranjos estéticos que valorizavam as obras. A velocidade de produção era obviamente baixa e o custo por unidade elevado devido ao detalhado e moroso trabalho de reprodução. As crianças continuavam esquecidas embora algumas, por ingressarem nas instituições religiosas desde cedo, tivessem acesso ao livro.

No século XIV, com a gravação do conteúdo de cada página em blocos de madeira, mergulhados em tinta, o livro conhece a impressão em papel. A juntar-se ao avanço tecnológico da invenção de Johannes Guttenberg, os tipos móveis reutilizáveis aceleram a produção do livro em série reduzindo drasticamente o seu custo. A variedade tipográfica é muito limitada mas começa a ser desenvolvida no sentido de se garantir a legibilidade. O desenho das letras é simplificado para garantir a impressão de todos os detalhes dos grafemas e para facilitar a execução e a produção dos tipos.


Os "Hornbooks", gravados em folha de couro, com origem em Inglaterra no século XV, serviam os estudos das crianças. Eram conhecidos como "Crisscross", provavelmente como uma referência à cruz de Cristo pela semelhança formal. O texto compacto não deixava espaço para ilustrações pelo que estas se encontravam normalmente gravadas no verso.

Aldus Manutius (1450-1515), humanista, impressor e editor, promove a construção de novas fontes tipográficas, encomendando o desenho da primeira fonte em itálico, e define novas técnicas de encadernação assim como o pequeno formato "de bolso" com o intuito de difundir as obras clássicas da literatura grega que muito apreciava.

Jonh Amos Cumenius, um bispo da Morávia, publica em 1658 aquele que é considerado o primeiro álbum ilustrado ("Picture Book") para crianças, sob o título "Orbis Pictus" - O Mundo ilustrado.


Página "A Barbearia" de "Orbis Pictus", impresso em 1658, tido como o primeiro livro educativo impresso.

Nos séculos seguintes o livro enquanto objecto é aperfeiçoado, atribuindo-se pela primeira vez valor ao efeito da lombada, quando exposta nas prateleiras de uma livraria ou biblioteca, pelo que esta passa a receber decorações e, tal como acontece com as capas, a merecer cada vez maior atenção e trabalho.

Uma página da versão de "O Gato das Botas" de Charles Perrault escrita e ilustrada manualmente, do fim do século XVII (1695), integrada em "Os contos da Mãe Ganso".


Fotografia da edição original do livro com mecanismos de Pop-up "A Mãe Ganso" com ilustrações de Harold B. Lentz. Editora: Nova Iorque, Blue Ribbons, 1933

As linguagens gráficas impressas evoluem lentamente até ao aparecimentoda fotografia, no século XIX, que teve uma enorme influência nos processosde reprodução. Através da investigação e desenvolvimento da fotoquímica surgem a Rotografia, a Flexografia e o "Offset" utilizado ainda hoje. O processo de produção do livro é facilitado, acelerado, com custos mais baixos, e o designer pode, finalmente, levar o seu projecto à impressão sem quaisquer condicionantes à sua liberdade criativa.



Em 1765 o editor Robert Sayer produz, expressamente para crianças, a primeira série de "Movable books" ou "Harlequinades" devido ao movimento do papel e por referência a Harlequim.

Simultaneamente, a busca por novos materiais de suporte ao texto e à imagem impulsionam a investigação e a produção de novos papéis, diferentes gramagens, novas técnicas de dobragem, acabamento, encadernação, que melhoram cada uma das etapas de produção do livro. A literatura infantil, em grande parte "anexada" pelas crianças, ganha expressão com a produção de edições luxuosas, profusamente ilustradas e, muitas delas, ainda coloridas manualmente.


Título: Songs of Innocence
Escritor: William Blake
Ilustrador: William Blake
Editora: William Blake, 1789
Poeta e pintor inglês, excelente gravador, dos primeiros autores a integrar a tipografia na e como ilustração, colorida manualmente, projectando cada página como um quadro. Intensamente dedicado à poesia, produziu uma série de edições dirigidas à infância.

É também durante o século XIX que a escola pública acontece e, com ela, as primeiras edições para crianças. Desde os manuais escolares à Literatura Infanto-juvenil, o projecto livro encontra um novo mercado e adapta-se ao seu novo destinatário impulsionando a ilustração nos livros como representação gráfica que questiona, aligeira, esclarece, embeleza e complementa o texto.

Ilustração de Beatrix Potter (1866-1943) famosa escritora e ilustradora de inúmeros livros dedicados às crianças. Ainda hoje se publicam as histórias de "O Coelho Pedro" (1902), "Pata Patrícia" ou "Rita Migalha".


Título: The Princess Nobody - A Tale of Fairyland
Escritor: Andrew Lang
Ilustrador: Richard Doyle
Editora: E.P. Dutton, 1884

A produção de livros desenvolve-se significativamente com a Revolução Industrial, fazendo chegar a informação e a formação necessárias à mão-de-obra que se especializa.

O início do século XX conhece, com a escola Bauhaus, a sistematização do Design Editorial com as primeiras linhas gráficas que regram a organização do espaço compositivo. O estudo do design gráfico como disciplina ganha expressão com o advento da publicidade e da comunicação institucional que requer cada vez maior diferenciação, pelo mercado concorrencial, e portanto exige profissionais que se dediquem à actividade.


Título: Pequeno azul e pequeno amarelo
Escritor: Leo Leonni
Ilustrador: Leo Leonni
Editora: Kalandraka, 2007 (reedição)
História de duas manchas de cor num projectode design simples, resumido à liberdade de movimento das manchas pelas páginas.



Título: Na noite escura
Escritor: Bruno Munari
Ilustrador: Bruno Munari
Editora: Cosac Naify, 2008 (Edição original de 1956)
O livro como objecto explorado pelo ritmo visual dos recortes nas páginas, pela variação das texturas do papel e pelas manchas de cor simples que dão forma à coerência visual da história.


Com os PC - Personal Computer, e o desenvolvimento de aplicações de edição de texto, mas mais ainda quando surgem, em meados dos anos 80, as primeiras aplicações destinadas à fotocomposição e ao design editorial, a produção do livro parece acessível a qualquer um desde que num contexto económico favorável que lhe permita trabalhar com o equipamento necessário. Surgem os mais variados projectos gráficos editoriais, profissionais, amadores, experimentais e artísticos. A disciplina de design gráfico, com a vertente editorial, ganha força como formação académica superior e lança finalmente para o mercado profissionais que se dedicam ao seu estudo e prática em exclusivo. A facilidade e a velocidade de produção apenas dependem da procura do mercado para o equilíbrio económico de todos os intervenientes no processo.

Toda esta evolução do livro objecto, que derivou das inovações tecnológicas, foi sempre financiada pelas ideologias de cada momento histórico. Mas esse é outro plano teórico cujo aprofundamento mereceria um outro espaço e tempo que não o deste artigo.

Essencialmente, os grandes avanços registados devem-se à influência da Religião e da Política sobre a sociedade, que detêm o poder de difusão e escolha dos livros que devem ser recomendados e dos leitores a quem se destinam. Com a globalização conquistada pela implementação da Internet, a sociedade é hoje mais livre no acesso a um enorme volume de conteúdos disponíveis "on-line", o que permite aos mediadores dos livros para crianças fazerem as suas escolhas e propostas de modo mais informado.

Um bom exemplo da influência política sobre o livro encontra-se nos múltiplos Planos Nacionais de Leitura que têm conhecido a luz nos últimos anos. Ao recomendar a leitura, o Estado sabe que está a incentivar a produção do livro.


Título: The amazing paper Cuttings of Hans Christian Andersen
Escritor: Beth Wagner Brust
Editora: Houghton Mifflin Company, 2003
Autor conhecido essencialmente pelas histórias para crianças, maioritariamente contos de fadas, apesar de ilustrador e com um legado muito interessante nesta área, recorria a outros ilustradores para as suas obras por entender que estes prestariam um melhor serviço ao livro.

É recente o passado do Livro Infantil com muito pouca produção exclusiva e/ou implicitamente dirigida às crianças. A Década da Literacia, iniciada em 2003, reconhece o crescente poder da leitura, e portanto da utilização do livro, na formação das crianças. E a indústria livreira reconhece o potencial do mercado das edições de livros infantis que alimentarão essa formação agora tida como necessária. Encomendam-se, traduzem-se e publicam-se hoje, como nunca, livros infantis.

Fonte das imagens:
. Indiana University, Perdue University, Indianapolis
. Gutenberg
. Washington University Libraries, Projecto de Conservação de livros
. Sítio dedicado aos livros "Pop-up"
. Museu Tate de Londres, a propósito de uma exposição sobre o autor William Blake
. Sítio dedicado ao Coelho Pedro e à autora Beatrix Potter
. Organização Rare Book Room
. Editora Kalandraka
. Editora Cosac e Naify
. Odense City Museums, especializado na vida e obra de Hans Christian Andersen

Helena Gonçalves e Helena Pedro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo

A todos os que escrevem, que ilustram, que editam, que produzem, que escolhem, que gostam e que lêem os nossos desejos de boas leituras para 2010.

Feliz Ano Novo a todos,
A Equipa d'O Livro Infantil